sábado, 31 de outubro de 2009

Oh you men!

No seguimento da minha história da manhã de ontem, tendo suportado uma enfermeira casmurra, e corrido de um lado para o outro para chegar a casa a tempo de fazer um almoço apetitoso para as minhas queridas amigas FA e BJ, tive outro pequeno recontro com uma personagem caricata.
Vinha a conduzir, entrei na minha rua, a janela do carro aberta, este nosso Outono ainda está muito quente. Eis que passo por um grupo de trabalhadores da Câmara, os laboriosos senhores que tratam da envolvente paisagística do meu bairro. Quando o meu carro passa, um dos homens que está na berma da estrada lança um repenicado "chuaaaac", alto e bom som. Ouvi, parei, fiz marcha atrás.
A personagem estava na beira de estrada, folheando displicentemente o jornal Ocasião, já abstraído do estranho som que tinha feito segundos atrás.
-"Desculpe, isso foi comigo?"
-"Hã?"
-"Esse barulho agora, isso foi para mim ou estava a palitar os dentes?"
-"Estava, estava, porquê? Não posso?"
-"Pode, claro que pode, até tem tudo a ver consigo!"
E arranquei. Os amigos ficaram a rir, não sei se dele, se de mim. De qualquer das formas já não me interessa. Longe vão os tempos em que o assédio de homens boçais me deixava encolhida e envergonhada. É ou não é bom já ter experiência de vida e saber enfrentar trogloditas? Ah pois é!

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Ontem foi dia de levar o mais velho à vacina, já que fez 5 anos há quase 1 mês.
O centro de saúde da minha área de residência não tinha enfermeira para dar a vacina, pelo que tive que ir a Oeiras. Depois de mais de uma hora à espera, num centro repleto de pessoas, barulho e confusão, lá chegou a vez do meu rebento.
Entrámos. Enquanto a enfermeira ia confirmando a base de dados, os meus filhos brincavam com uns puzzles e livros que havia na sala.
-"Que idade tem o menino?" (brusca)
-"Cinco anos." (tem o boletim de vacinas à frente, minha senhora)
-"Não tinha que vir cá hoje, tem um ano para lhe dar as vacinas." (exasperada)
-"Como?" (incrédula)
-"Não havia necessidade de cá vir, pode dar-lhe a vacina em qualquer altura." (irritada)
-"Não havia enfermeira para lhe dar a vacina no meu centro de saúde, por isso é que vim cá." (irritada)
-"Pois, mas não tinha que vir hoje." (agressiva)
-"Tirei a manhã para trazer o meu filho à vacina, não vou fazê-los faltar à escola outra vez porque não havia ninguém para lhe dar a vacina no meu centro de saúde, quando posso ter isto despachado hoje." (irritada e de braços cruzados)
-"Podia vir nas férias, não há pressa." (voltando ao ataque)
Silêncio constrangedor... (não estou a acreditar na senhora e ainda por cima não sou daquelas pessoas que têm sempre resposta pronta para qualquer situação, com muita pena minha).
Depois de uns segundos a equacionar a hipótese de pedir o livro de reclamações, lá consegui articular uma frase.
-"Desculpe, mas não posso acreditar. Deve haver pessoas que não ligam nenhuma às vacinas, deixam passar do tempo, eu venho a tempo e horas e a senhora está a dizer-me que não devia ter vindo?" (irritada e ligeiramente agressiva... mas muito ligeiramente, eu sou só peace and love)
-"Pois, só lhe estou a dizer que não havia pressa, tem um ano." (insistente e casmurra)
Já nem respondi. Deixei-a ficar com a última palavra, deixei-a levar a bicicleta, deixei-a enterrar-se na sua pequenez de espirito e respirei fundo.
O meu filho portou-se que nem um super mega ultra campeão e não esboçou um queixume, nem se mexeu enquanto levava uma injecção em cada bracinho. Surpreendem-nos todos os dias estes miúdos...

quinta-feira, 29 de outubro de 2009




Todos los dia la gente se arregla el cabello porqué no el corazon ?





Estava um destes dias a jantar num restaurante e deparei-me com esta frase na ementa.
Uma grande verdade, passamos grande parte da nossa existência a tratar da nossa aparência e não necessariamente a tratar do nosso interior, seja a cabeça ou o coração.
De alguma forma o nosso dia a dia assim o proporciona, é-nos exigido cuidado com a aparência, mas o interior que ninguém vê pode pode ser negligenciado.  Mas será mesmo ajuizado negligenciar o interior ? Não será tão importante como tomar duche, escovar os dentes e afins. 
Afinal de contas de o nosso estado de espírito reflecte-se na aparência. E o bem estar que proporcina é bem superior. 


terça-feira, 27 de outubro de 2009

ausências






Estarão vocês a pensar a razão da minha ausência, 
Terei abandonado o blog, mudado de casa, estarei sem internet em casa e no escritório, estarei entediada e não me apetece escrever, terei arranjado um namorado novo, emigrado para um país tropical perante a ameaça da chegada do Inverno (verdade, verdadinha, prefiro imaginar-me em Ipanema de água de côco na mão, passeando a bunda pelo calçadão ) estarei sem assunto, terei decidido viver sem internet, estarei numa expedição pela Antártica, a fazer um passeio a cavalo pela Terra do Fogo, em retiro espiritual num qualquer Ashram na Índia ? 
Pois, nada disso. Trata-se mesmo uma razão bem mais aborrecida. Desde que bloquearam os blogs naquela prisão onde trabalho e me privaram do prazer da minha  breve lufada de ar fresco diária, isto anda um pouco mais lento para os meus lados. Estou com dificuldades em conciliar as minhas actividades "extra-curriculares" ! 

domingo, 25 de outubro de 2009

I got the blues

Georgia, Georgia,
the whole day through
Just an old sweet song
Keeps Georgia on my mind
Talkin' 'bout Georgia
I'm in Georgia
A song of you
Comes as sweet and clear
as moonlight through the pines
Other arms reach out to me
Other eyes smile tenderly
Still in peaceful dreams I see
The road leads back to you
Georgia, sweet Georgia, no peace I find
Just an old sweet song
Keeps Georgia on my mind
Other arms reach out to me
Other eyes smile tenderly
Still in peaceful dreams I see
The road leads back
It always leads back to you
I'm in Georgia, Georgia, sweet Georgia
No peace, no peace I find
Just this old, sweet song
Keeps Georgia forever on my mind
Just an old sweet, sweet song
Keeps Georgia forever on my mind

Ray Charles, Georgia on my Mind

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

As long as we both shall live...





Hoje de manhã estava parada no trânsito, no caminho para a escola dos miúdos. Olhei para trás, para o meu filho. Estava a olhar para a rua. Via-lhe perfeitamente o narizinho arrebitado e as pestanas enroladas. Com ar absorto e sério, contemplava o que se passava lá fora, os carros parados ao nosso lado, as pessoas em passo apressado em direcção à estação. O meu coração derreteu de amor.


Não fui daquelas mães que se apaixonam pelos filhos à nascença. Apesar do meu filho ser muito desejado, a adaptação à maternidade não me veio instintivamente, mas com o tempo. E com o tempo ele tem sabido cativar-me, tem vindo a crescer no meu coração, todos os dias um bocado mais. 


O que é engraçado, porque só com os filhos (pelo menos no meu caso) é que me dei realmente conta que o amor é infinito. Quando julgo que o meu coração já está cheio deles, descubro que há ainda mais espaço, e que um gesto, um sorriso, um olhar alheado, podem transformar este coração, outrora de pedra, num monte de manteiga ao sol no mês de Agosto (dos Agostos de antigamente, em que podíamos contar com dias infinitamente soalheiros e noites quentes, em que se dormia no chão da casa de banho).


E agora, quando o meu coração derrete de amor, tenho pena que só com todo o tempo do mundo nas mãos, consiga realmente apreciar a dádiva que um filho é.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Trying to be strong...




Este tempo chuvoso dá-me uma vontade horrorosa de sair e ir às compras... Tenho sido forte. Por quanto tempo?

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

My Casablanca




Sabem aquelas pessoas com quem sempre simpatizámos, mas com as quais nunca tivemos oportunidade de realmente iniciar uma amizade? E que, de repente, por circunstâncias da vida, passam a fazer parte do nosso dia a dia? E que, inesperadamente, passam a ser nossas amigas, e a ocupar um lugar no nosso quotidiano, na nossa mente e no nosso coração? E quando essas pessoas passam por momentos difíceis, gostaríamos de estar lá para as abraçar e dizer que vai correr tudo bem, mas ainda não nos sentimos muito à vontade, porque afinal só as conhecemos há meia dúzia de meses? 

Eu tenho uma pessoa assim na minha vida agora, e gostaria de lhe ligar para saber como está, sem sentir que estou a incomodar, gostaria de lhe dizer que estou aqui para o que for preciso, sem me estar a impor, gostaria de a ajudar a superar os problemas, sem me sentir a mais... mas ainda não estou lá. 

Mas como dizia o Bogart: "Louis, I think this is the beggining of a beautiful friendship".

vai começar tudo outra vez ...



As meia, os collants, as botas, os dias de chuva, as janelas fechadas, o trânsito de manhã  e ao fim do dia e sempre que há umas gotas de chuva (eu tenho a certeza que as ruas encolhem com a chuva ) os dias muito curtos, a falta de luz pela manhã.
É o adeus temporário ao chinelo no pé e ao fim-de-semana na praia, ao magnífico pôr-do-sol, ao calor.
E a esperança que o tempo quente volte bem depressa.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

There must be an angel...


Já tive mais do que uma situação na vida em que senti que algo me protegia. Momentos como aquele em que, por segundos, podia ter embatido na traseira de um camião por ter adormecido ao volante, mas abri os olhos mesmo a tempo; ou quando mudei de passeio na altura em que me iam fazer um roubo de esticão, sem ter sequer dado conta do que se passava; ou encontrei protectores providenciais quando estava a ser perseguida por um homem assustador.
Nessas alturas, tive a certeza que algo, alguém, pôs as suas mãos protectoras sobre mim, e oportunamente, fez por mim o que tinha que ser feito.
Hoje vi no telejornal algo que, mais uma vez, me convenceu que há pessoas que têm um anjo da guarda muito poderoso.
Vejam o vídeo e depois digam-me se não há crianças com muita sorte e mães ainda mais sortudas. Para informação geral, o bebé só ficou com uma nódoa negra na cabeça... e a mãe em estado de choque.